
O árbitro apita o fim do jogo entre Brasil e Equador. Na estreia do novo ciclo, o recomeço ficou só no pape (Foto: JLScopel )
A cena mais emblemática da noite em que a Seleção Brasileira empatou em 0 a 0 com o Equador não veio de uma jogada, de um gol perdido ou de uma defesa espetacular.
Veio do apito do árbitro, encerrando uma partida sonolenta e simbólica. Foi ali, no gesto simples de decretar o fim, que se resumiu o sentimento de milhões de brasileiros: expectativa nenhuma, surpresa nenhuma, esperança adiada mais uma vez.
A partida marcou a estreia da nova comissão técnica da Seleção, agora sob comando de Carlos Achelotti, anunciado como o grande nome do novo ciclo. Mas, dentro de campo, nada parecia novo. Nem esquema, nem atitude, nem energia. O Brasil seguiu previsível, moroso, desconectado.
Se esperava uma faísca, um sinal de mudança. Em vez disso, viu-se mais do mesmo: posse de bola estéril, criatividade nula e individualidades apagadas. Vinícius Júnior, Richarlisson e outros sem brilho.
É verdade que é o começo de um novo ciclo. Que há tempo. Que há talento. Mas também é verdade que a Seleção parece anestesiada, sem urgência, sem identidade. E talvez seja esse o maior problema: a ausência de uma ideia clara de futuro.
A imagem que vai para os jornais é a do juiz encerrando o jogo. Ela diz mais que mil palavras. Não há festa, não há vaia, não há drama. Só um silêncio conformado, que resume perfeitamente o momento atual do futebol brasileiro.